domingo, 11 de abril de 2010

Olhe a nuvem que vem

Uma nuvem se espalha pelos cantos do mundo. É uma nuvem cinza, diferente das que vi nos meus dias de chuva. Dela não se chove, água escassa. E os seus raios não se podem ver, nem sentir na superfície da pele. O seu choque é interno, é dentro da mente, é dentro da cultura. O trovão, dessa fumaça densa, cinzenta, se ecoa pelos corredores sem fim de concreto. Prisão que abafa o desejo intrínseco e comum de ser livre. Olhe pro céu, olha pra nuvem, que vai chover.

Fernando Oliveira

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