terça-feira, 18 de maio de 2010

Uni-Verso


Pensar é um caminho com dois sentidos opostos. O desacordo entre os pensamentos, quanto ao sentido, gera o desequilíbrio ideológico com o qual todos já estão familiarizados.

Enquanto alguns pensam que a vida se resume a esse coágulo de energia que é a matéria, outros se esquecem de acreditar no que não podem ver, mesmo que o invisível não dependa da crença para existir.

Mas tudo que há não se contém em apenas três meras dimensões. Do ínfimo universo orbital das partículas elementares ao grandioso e orquestrado universo da teia cósmica, com seus trilhões e trilhões de nossos quilômetros por onde a Luz se projeta, não se perde o conceito de apenas um verso, universo.

Um lado, um único som, que não se dissipa, não desafina.

E, em um único olhar, pode-se ver as letras que aqui se interagem, mas não, neste mesmo instante, pode-se ver o seu verso que a elas sustenta, e isso não o faz deixar de existir. E a letra, seja ela qual for, assim, desinteressadamente lida, não deixa de guardar o seu segredo, o seu oculto, que não se pode separar, mas é o não visto.

Muito nos é privado de olhar. E esta barreira só poderá ser quebrada a partir do momento que entendermos que o verbo ver não se contém apenas no brilho nos olhos.

Fernando Oliveira



“O visível esconde o invisível, mas apesar disso conseguimos o invisível apenas através do visível”, Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (Paracelso).

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Brilho

Brilho bonito
Em meus olhos.


Em mim, a sua imagem,
Reflete uma luz incomum.


Só pode ser o brilho de um astro,
Estrela cadente, caindo no meu mundo.


Fernando Oliveira

Violão

Testando as cordas.
A terceira está abaixo do tom.
Uma leve esticada, está tudo bem.
Caio no sono. Estou pronto pra sonhar.

Fernando Oliveira

sábado, 8 de maio de 2010

Pão e circo

Pão e circo, como diziam os antigos dos leões. E eu vejo, por através da história, cenários esdrúxulos se repetirem em silêncio absoluto. Mas em oposição ao debate em silêncio de idéias, escuto gritos de vitória de encanto nobre e patriota, com os quais já trocamos a bandeira do escudo da vida pela do fugaz entretenimento pueril.

Mas com o mesmo discurso sério, antes, lutávamos por causa mais séria. E o ardor, que se esgotou nas rotinas, acabou por perder um pouco do foco valioso pelo qual moveu o mundo.

Mas, como massas, aceitamos tudo que é certo. E é assim mesmo que tem de ser. Logo que o certo é o meu prato de comer, posto na mesa eu me sirvo sorridente. Sem a lágrima de um retorno para os braços largos da sabedoria conjunta.

Fernando Oliveira