terça-feira, 7 de setembro de 2010

Violência como Resposta!

É do conhecimento coletivo a máxima que provém da observação: a violência só gera violência. É, também, do conhecimento de muitos, embora nem todos dão o devido valor e consideração, que não há efeito sem causa, axioma aplicado às ciências da Terra.

Igualmente às observações anteriormente citadas, como certezas provenientes da própria experiência, que o futuro de uma nação é plantado nos pequeninos de hoje, crianças, agentes do amanhã, carregando em suas vidas, como um filme, a esperança e o desconforto do que ainda virá.

Elevando a teoria à aplicabilidade social, se é que não pode ser encarada como tal, ressurge dos escombros a responsabilidade, que a educação carrega, no caminho de séculos que separam os povos.

Mas o século XXI já se alastra, enquanto mais se modernizam as práticas belicosas, e os filhos treinados pela TV, como em um movimento automático inconsciente, absorvem e praticam, mesmo no círculo de sua inocência, toda a cultura do medo, dos excessos, do egoísmo, do orgulho, da vaidade. São, assim como os do ontem, retratos de um pensamento que se interiorizou de tal forma, que cada um passa a ter o seu próprio mundo nas costas. Cedidos por este impulso cultural, os seres humanos se esquecem de que o amor ao próximo é tão importante quanto ao amor a si, e repassam, geração após geração, a semente que alastra suas raízes, cada vez mais, formando floresta escura e densa.

Em conformidade com os fatos, sem a máscara do preconceito e da leviandade, cobrindo os olhos dos homens, vê-se o quanto tem-se estacionado as massas nos primeiros degraus da evolução moral, desenhando na face dos filhos a da violência, que é efeito, não causa.

Fernando Oliveira

[27 de junho de 2010, Belo Horizonte, Redação Chromos Tema “A violência como obstáculo à melhoria do desempenho escolar brasileiro”.]

terça-feira, 18 de maio de 2010

Uni-Verso


Pensar é um caminho com dois sentidos opostos. O desacordo entre os pensamentos, quanto ao sentido, gera o desequilíbrio ideológico com o qual todos já estão familiarizados.

Enquanto alguns pensam que a vida se resume a esse coágulo de energia que é a matéria, outros se esquecem de acreditar no que não podem ver, mesmo que o invisível não dependa da crença para existir.

Mas tudo que há não se contém em apenas três meras dimensões. Do ínfimo universo orbital das partículas elementares ao grandioso e orquestrado universo da teia cósmica, com seus trilhões e trilhões de nossos quilômetros por onde a Luz se projeta, não se perde o conceito de apenas um verso, universo.

Um lado, um único som, que não se dissipa, não desafina.

E, em um único olhar, pode-se ver as letras que aqui se interagem, mas não, neste mesmo instante, pode-se ver o seu verso que a elas sustenta, e isso não o faz deixar de existir. E a letra, seja ela qual for, assim, desinteressadamente lida, não deixa de guardar o seu segredo, o seu oculto, que não se pode separar, mas é o não visto.

Muito nos é privado de olhar. E esta barreira só poderá ser quebrada a partir do momento que entendermos que o verbo ver não se contém apenas no brilho nos olhos.

Fernando Oliveira



“O visível esconde o invisível, mas apesar disso conseguimos o invisível apenas através do visível”, Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (Paracelso).

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Brilho

Brilho bonito
Em meus olhos.


Em mim, a sua imagem,
Reflete uma luz incomum.


Só pode ser o brilho de um astro,
Estrela cadente, caindo no meu mundo.


Fernando Oliveira

Violão

Testando as cordas.
A terceira está abaixo do tom.
Uma leve esticada, está tudo bem.
Caio no sono. Estou pronto pra sonhar.

Fernando Oliveira

sábado, 8 de maio de 2010

Pão e circo

Pão e circo, como diziam os antigos dos leões. E eu vejo, por através da história, cenários esdrúxulos se repetirem em silêncio absoluto. Mas em oposição ao debate em silêncio de idéias, escuto gritos de vitória de encanto nobre e patriota, com os quais já trocamos a bandeira do escudo da vida pela do fugaz entretenimento pueril.

Mas com o mesmo discurso sério, antes, lutávamos por causa mais séria. E o ardor, que se esgotou nas rotinas, acabou por perder um pouco do foco valioso pelo qual moveu o mundo.

Mas, como massas, aceitamos tudo que é certo. E é assim mesmo que tem de ser. Logo que o certo é o meu prato de comer, posto na mesa eu me sirvo sorridente. Sem a lágrima de um retorno para os braços largos da sabedoria conjunta.

Fernando Oliveira

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Quero um tom

  Quero um tom
De leve apito
  Em troca do grito
Que ousou
  Quebrar o silêncio
Da música

Fernando Oliveira

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pluralidade das Existências

Disse Jesus:
­­­­— Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não poderá ver o reino de Deus.

Disse-lhe Nicodemos:
— Como pode um homem nascer sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?

E Jesus lhe respondeu:
­­­­— Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do espírito é espírito.

­­­­— Não te maravilhes de ter dito. Necessário vos é nascer de novo.

­­­­— O vento assopra onde quer: E tu ouves a sua voz, mas não sabes donde ele vem, nem para onde vai: assim é todo aquele que é nascido do espírito.

(João 3:3-8)

domingo, 11 de abril de 2010

Olhe a nuvem que vem

Uma nuvem se espalha pelos cantos do mundo. É uma nuvem cinza, diferente das que vi nos meus dias de chuva. Dela não se chove, água escassa. E os seus raios não se podem ver, nem sentir na superfície da pele. O seu choque é interno, é dentro da mente, é dentro da cultura. O trovão, dessa fumaça densa, cinzenta, se ecoa pelos corredores sem fim de concreto. Prisão que abafa o desejo intrínseco e comum de ser livre. Olhe pro céu, olha pra nuvem, que vai chover.

Fernando Oliveira

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Uma nova semente

Tive um sonho. A vida, como a enxergamos com os nossos olhos do dia a dia, nada se parece com que no sonho eu tive. Nela, ao contrário de se nascer no germinar de uma semente, se nascia de um germinar de luz. Uma luz como fagulha de um fogo providencial.

Ao se passar do lento e longo tempo, na nossa cabeça, em nosso pensamento um ano é como uma noite. E as experiências em que fomos guiados nesse princípio de sabedoria se tornaram, num belo dia, flores de uma inteligência muito sutil. Entre o sim e o não, aos passos e passos, a saber, a diferença. Embora a pureza da essência teleguiasse seus passos na inocência do princípio, depois da escolha veio a conseqüência direta de cada ato. E assim, agora como análogo da semente, germinando nova vida não ao acaso dos fatos.

Então, sucessivamente, como no ciclo que de uma árvore se faz outra árvore, como uma flor que se desabrocha, como intervalo, para gerar uma nova semente. A beleza de uma flor e logo após a beleza de uma segunda chance. Geração após geração, aperfeiçoando cada dia mais os frutos, numa seleção introspectiva, ao passo de que o seu fiel caminho, além do sabor de um fruto doce, é voltar ao princípio, na inocência da pureza, mas agora com a consciência do que é ser feliz.

Fernando Oliveira

sexta-feira, 12 de março de 2010

Filosofia

Quem me dera, como homem, poder falar que entendo a vida. Pois dentro de tudo que existe, há uma dimensão que não cabe no saber. Como uma pergunta sem resposta ou uma resposta que não pode em palavras caber.


Fernando Oliveira

quinta-feira, 11 de março de 2010

Um verso

Um verso
Como gota que cai
Uma lágrima de tudo
Da vida, da morte,
Do amor.

Fernando Oliveira

terça-feira, 9 de março de 2010

Crise

O mundo está em crise. Não só econômica, como estamos acostumados a ler nos jornais. É uma crise diferente, a qual deixamos de prestar atenção e que se desenvolveu no silêncio, por baixo dos nossos olhos. Não é de cunho técnico, de complexidades eletrônicas diversas e funções extraordinárias às vistas. É de cunho puramente, e simplesmente, moral.

É uma crise que nasce no pensamento errado daqueles que buscam não tudo para todos, mas tudo para si. Tudo para o ego. O que leva à acumulação desnecessária pelo desejo de ter, inscrito nas entrelinhas de toda contemporânea cultura. É ideológico, no doce da sobremesa, e posto na mesa.

Fernando Oliveira

sábado, 6 de fevereiro de 2010

EXEMPLIFICAR

Do livro Palavras de Vida Eterna (144), Chico Xavier.

Respondendo, então, disse-lhes
Jesus “Ide e anunciai...
(Lucas, 7:22)

Através de todas as nações, o homem levanta realizações notáveis, nas quais se lhe exalta o egoísmo inteligente.

Em toda a parte, repontam obras santuárias, solicitando moderação e corrigenda, para que o abuso de poucos não agrave as aflições e as necessidades de muitos.

Entretanto, porque o raciocínio rogue confrontações claras para estudos corretos, reconheçamos o realce, conquanto vazio e por vezes ruinoso, de semelhantes cometimentos.

Ninguém nega a amenidade do edifício caprichosamente construído para festas inúteis, embora não se lhe possa louvar o destino.

É indiscutível a preciosidade do iate de luxo, não obstante seja tão-somente dedicado ao excesso.

Inegável a feição deleitosa de um jardim suspenso, mesmo quando não passe de apêndice arquitetônico.

Belo o espetáculo da fonte luminosa por distração na praça pública, apesar de se manter muito longe do proveito de um simples chafariz.

Analisando essas empresas, na lógica do Espiritismo, somos, contudo, impelidos a reconhecer que os amigos afeiçoados ao supérfluo estarão agindo dessa forma por falta de esclarecimento e orientação.

A experiência terrestre na atualidade não desconhece que é preciso ensinar aos homens a arte de alimentar e vestir, conversar e conviver, a fim de que haja saúde, euforia, compreensão e harmonia na Humanidade.

Disse Jesus, em várias ocasiões, aos seguidores: “Ide e pregai...”

Nada justo, assim, reprovar sem consideração os companheiros que ainda se encontram involuntariamente distantes das realidades do espírito. Onde o desperdício apareça por flagelo da ignorância, iniciemos a construção da verdade pelo exemplo da sobriedade, na certeza de que, em toda tarefa de educação, exemplificar é explicar.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Uma história

Uma história é só uma história. Não tem o mesmo conteúdo, completo, de uma vivência. Além do mais, manipulável seria nas mãos de quem desconhece as verdades da vida. Isto se procede hoje e desde quando há resquícios de comunicação entre os povos inteligentes. Mesmo a história de vida, seja ela de quem for, não surtiria tanto efeito a outrem quanto surtiu para quem a viveu. Entretanto, algumas pessoas apoiaram suas vidas no amor ao próximo, no bem. Os traços de sua vinda na terra serviriam de exemplo para todo o sempre, caso queira escuta-los. Ainda assim, na experiência individual do ser, apenas a eles pertencem seus mistérios. Portanto, ao ler uma história, seja ela de quem for ou a quem materialmente pertencer, deve-se levar em conta apenas o que te engrandece, e não o que favorece seus erros.

Devemos, sem duvidar, levar em consideração o poder educativo da história. Certos, porém, do poder também que favorecemos a ela de ditar determinados caminhos. Mas a escolha de se enveredar, e de escolher entre os variados meios que se lhe apresentam para atingir o que pensa que quer, continua contida na individualidade de cada ser. Escolha que nos é permitida pela liberdade de ser o que é, escolha que nos será cobrada o preço justo seja onde for. Então, melhor seria colher, ao invés de espinhos, o fruto doce.

Independentemente de onde prover a informação que recebe, seja ela qual for, não se esqueça de respirar fundo o ar que mantém seu corpo vivo e aprenda a ler nas entrelinhas das cores, caras e sons que a natureza tem a te oferecer. Pois, ela, além de te proporcionar a oportunidade de sentir um sabor, é o retrato falado do melhor que o material pode ser, se comparado com a Energia que a criou. Hoje, independentes que achamos ser, vulgarizamos a crença, nos esquecendo de amar uns aos outros. E descrentes do que uma ação pode nos acarretar ditamos fascínios, mirabolantes, a quem quiser escutar. Nunca esqueçamos o poder da palavra.

Fernando Oliveira

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Poesia não é silêncio



Poesia não é silêncio.
É grito.
É sede de por pra fora
Como o som da voz.
Mas sem voz,
Sem sotaque,
Em silêncio.



Fernando Oliveira

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Trinta e três.



Num ai, pensamento, de tão arredio, esguio.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano Novo!

Há uma energia sutil que percorre o ar, a terra e o mar. Energia que flui por entre as linhas do tempo. Quando alinhados em um mesmo ideal, uma mesma idéia, os seres pensantes da terra movimentam, sem saber que o fazem, até montanhas. É a energia enrustida da fé, a qual manipulamos sem ver e sentir. Mas, se somos todos poderosos perante nós mesmos, por que ainda queremos retirar o que nos resta? Por que não se unir, idealizando a paz e o amor, na linha reta a qual segue toda a natureza? Deus nos criou e, ao descobrirmos o fogo e a matemática, acabamos por esquecer que o Seu nome soou antes de qualquer fagulha ou cálculo que já existiu. No início era o Verbo. E sem o conjugar em nossas vidas, não há sentença. Sem raiz uma árvore não cresce. Sem a semente, a bela flor não floresce. E aquele que esqueceu de olhar a chuva cair, a planta nascer e o ar que respira, de seu caminho se esquece.

Que nesse ano que nasce germine e cresça o amor em nossos corações. Pois a semente, desde que nos criou, Ele já nos plantou. Que assim seja.


Feliz Ano Novo!

Fernando Oliveira