terça-feira, 22 de setembro de 2009

Relatividade do Tempo

Há, por entre o vem e vai das horas, um segundo somente pra durar eternamente. Será possível um só segundo durar tanto? O tempo é relativo. Depende apenas do momento em que se encontra aquele que olha as horas. Pode ir lento, ou parar no tempo. Pode correr, embora mais humano que elemento, sem uma gota derramar de suor. E quem corre transpira, transgride, transforma. Quem não corre pode fácil se encontrar no tempo natural de todas as coisas. Se quiser manipular o tempo, lembra-te que tudo depende do momento. Mas, querendo aproveitar o momento, o relógio torna-se dispensável.

Fernando Oliveira

terça-feira, 15 de setembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Tic Tac

Há congestionamento no tráfego e é sexta-feira. A tarde de volta pra casa não parece incomodar tanto aqueles rostos cansadas dentro do coletivo. Eu continuo distante no meio daquelas caras tristes de chorar suor pelo dia sofrido. Eu vou mais além, distante até da própria época em que vivo, para voar mais alto, filosofar um instante sequer na minha insolente preguiça de pisar com os pés no chão. Aqui a noite passa tão rápido como o avião. Bem que se perde até os hábitos da tv. O tempo corre valendo cada centavo ao qual lhe fez valor. O tempo não é mais sentido, e sim contado.

Fernando Oliveira

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A dança de Shiva

É freqüente no nosso cotidiano, devido às obrigações diárias, que não sobre tempo para observarmos o que de tão intrigante e interessante nos deixaram os antepassados. Às vezes, talvez ainda por resquícios do preconceito, relutamos ainda em manter determinados tabus que, podendo limitar nossa experiência de vida, faz-nos usar tapa olhos ao invés da inteligência e sensibilidade.

Percorrendo por alguns estudos sobre as religiões orientais, uma determinada definição me chamou a atenção em especial. A religião principal da Índia, o Hinduismo, de existência datada de 4000 a 6000 mil anos a.C., que apesar de aceitar a quantidade enorme de divindades no âmbito da sua religiosidade, acredita em apenas Um. Assim, segundo a sua crença, para atingir o moksha (“liberação” ou “liberdade”), é necessário que se tome consciência que o seu atman, o espírito ou alma, é idêntico ao Brahma, a alma suprema, Deus.

Nesta tradição, o deus Shiva é o destruidor, que destrói para construir algo novo, tornando-o assim transformador. Dentre suas várias representações, Nataraja é dos dançarinos (nata) o rei (raja). Segue abaixo sua explicação alegórica observada pelo escritor e físico teórico Fritjof Capra no livro “The Tao of physics”.


“Os artistas indianos dos séculos X e XII representaram a dança cósmica de Shiva em magníficas esculturas de bronze de figuras dançantes com quatro braços, cujos gestos soberbamente equilibrados e, não obstante, dinâmicos expressam o ritmo e a unidade da Vida. Os diversos significados da dança são transmitidos pelos detalhes dessas figuras através de uma complexa alegoria pictórica. A mão direita superior do deus segura um tambor que simboliza o som primordial da criação; a mão esquerda superior sustenta uma língua de chama, o elemento de destruição. O equilíbrio das duas mãos representa o equilíbrio dinâmico entre a criação e a destruição no mundo, acentuado ainda mais pela face calma e indiferente do Dançarino no centro das duas mãos, no qual a polaridade entre criação e destruição é dissolvida e transcendida. A segunda mão direita ergue-se num gesto que significa “não tenha medo”, expressando manutenção, proteção e paz; por sua vez, a mão esquerda remanescente aponta para baixo, para o pé erguido e que simboliza a libertação da fascinação de maya. O deus é representado dançando sobre o corpo de um demônio, símbolo da ignorância do homem e que deve ser conquistado antes que seja alcançada a libertação.

A dança de Shiva – nas palavras de Ananda Coomaraswamy – é “a imagem mais clara da atividade de Deus de que se pode vangloriar qualquer arte ou religião”. (...) A dança de Shiva é o universo que dança, o fluxo incessante de energia que permeia uma variedade infinita de padrões que se fundem uns nos outros.”

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Estranho silêncio ao redor. Meus olhos, cheios de cor, arredondam-se com o próprio assunto a se formar. Era a lua que, com seu gentil ar constante e presente, mais uma vez descobria pedras. Mas não da lua falar eu poderia. Não da inconstante presença do meu mesmo eu que se abria. Horas sinceras, inconstante deveras.
E uma chama consumia, até o ponto de estar só, a lua, a terra, a planta e minha presença sutil.

Fernando Oliveira