domingo, 27 de dezembro de 2009

Inspiração


Fui tocado por uma boa sensação. Uma inspiração que percorreu, sem parar, pelo corredor dos meus pensamentos. Talvez a noite, com seu ar obscuro, inspirou as horas a se apoderarem de mim. Mas pensando alguma forma de me libertar das garras do tempo, volto sempre a encarar o findo, prazeres como que cinzas ao vento, junto à vida. Mas a hora da despedida, esquecida como a noite que caiu, banha a terra com um ar de independência. A falência, nos valores, como dívida de tristezas. Nessa vida de incertezas, vou buscar o bem dentro e fora de mim.

Fernando Oliveira

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O Mundo

Vejo o mundo com os olhos dos sentidos. Portas sensoriais por onde trafegam dados, pulso elétrico que dá movimento. Sinto o mundo com o que é etéreo. Etéreo, pois não necessita de peso, tamanho e nem cor. Tento equiparar o que vejo ao que sinto e assim consigo dar cada passo.

Fernando Oliveira

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Passagem do Tempo

Horas vindo, horas indo...

Já se indagou da passagem do tempo?

Por acaso teve a única presença,

Mesmo que por um segundo,

Da incansável passagem do tempo?

É mesmo o tempo que faz de nós:

Presente, passado e futuro.

Tempo que nos resta?

O resto passa sem pressa

Sem saber que hora é essa...

Sem saber que horas são.


Fernando Oliveira

sábado, 17 de outubro de 2009

Há algumas décadas


Há algumas décadas, convivemos com um tipo de informação que desde então nos gera automática procedência, porém. A duplicidade de sua cor, que hoje se tornou milionésima, se tornou um padrão, modelo de se ser, agir e prosperar em vida, maravilha, perfeita concessão.

Nos deparamos com nossa vida, nas mazelas do dia a dia, seguirem aparentes proféticas sucessões. Onde estamos errando? Porque os jovens perecem cada vez mais jovens?

Certas vezes costumo pensar que estamos conduzidos, não obstante cruelmente sedados, ao paraíso dos povos acomodados na classe.

Em qual classe estamos? Ou o problema reside na classe? Seja qual for a resposta, apesar do constante turbilhão de coisas que acontecem estampadas na vista da raça, o que é preciso é união e comunhão.

Fernando Oliveira

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Experiência da Vida

O que me atrai na vida é a relatividade das coisas. É com dinâmica e intrínseca presença que tudo faz parte, tudo se guia, se transforma, perdura e se esvai. Interessante quando um ponto de vista abre em leque possibilidades tão infinitas quanto um sonho. Real? Fetiche? Penso ser igualmente diferente, relativo e equilibrado.

Buscamos um porto seguro em coisas que se vão, sendo que o único abrigo que está sempre presente, embora mude, situa-se bem de frente ao espelho. Mas, apesar de estar tão próximo, relutamos em não acreditar. Apesar de ser tão óbvio, esquecemos de ser. E, bem de frente ao espelho, queremos olhar com os olhos o que só é possível ver com o coração.

Condenamos a vida pelos nossos próprios atos falhos e pela nossa deficiência individual de simples olhar para a direção errada. Observar profunda natureza que nos cerca é ponto de partida para saber em qual direção seguir, compreendendo que, no rio, não se nada contra a correnteza.

Fernando Oliveira


"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos” - Antoine de Saint-Exupéry.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Relatividade do Tempo

Há, por entre o vem e vai das horas, um segundo somente pra durar eternamente. Será possível um só segundo durar tanto? O tempo é relativo. Depende apenas do momento em que se encontra aquele que olha as horas. Pode ir lento, ou parar no tempo. Pode correr, embora mais humano que elemento, sem uma gota derramar de suor. E quem corre transpira, transgride, transforma. Quem não corre pode fácil se encontrar no tempo natural de todas as coisas. Se quiser manipular o tempo, lembra-te que tudo depende do momento. Mas, querendo aproveitar o momento, o relógio torna-se dispensável.

Fernando Oliveira

terça-feira, 15 de setembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Tic Tac

Há congestionamento no tráfego e é sexta-feira. A tarde de volta pra casa não parece incomodar tanto aqueles rostos cansadas dentro do coletivo. Eu continuo distante no meio daquelas caras tristes de chorar suor pelo dia sofrido. Eu vou mais além, distante até da própria época em que vivo, para voar mais alto, filosofar um instante sequer na minha insolente preguiça de pisar com os pés no chão. Aqui a noite passa tão rápido como o avião. Bem que se perde até os hábitos da tv. O tempo corre valendo cada centavo ao qual lhe fez valor. O tempo não é mais sentido, e sim contado.

Fernando Oliveira

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A dança de Shiva

É freqüente no nosso cotidiano, devido às obrigações diárias, que não sobre tempo para observarmos o que de tão intrigante e interessante nos deixaram os antepassados. Às vezes, talvez ainda por resquícios do preconceito, relutamos ainda em manter determinados tabus que, podendo limitar nossa experiência de vida, faz-nos usar tapa olhos ao invés da inteligência e sensibilidade.

Percorrendo por alguns estudos sobre as religiões orientais, uma determinada definição me chamou a atenção em especial. A religião principal da Índia, o Hinduismo, de existência datada de 4000 a 6000 mil anos a.C., que apesar de aceitar a quantidade enorme de divindades no âmbito da sua religiosidade, acredita em apenas Um. Assim, segundo a sua crença, para atingir o moksha (“liberação” ou “liberdade”), é necessário que se tome consciência que o seu atman, o espírito ou alma, é idêntico ao Brahma, a alma suprema, Deus.

Nesta tradição, o deus Shiva é o destruidor, que destrói para construir algo novo, tornando-o assim transformador. Dentre suas várias representações, Nataraja é dos dançarinos (nata) o rei (raja). Segue abaixo sua explicação alegórica observada pelo escritor e físico teórico Fritjof Capra no livro “The Tao of physics”.


“Os artistas indianos dos séculos X e XII representaram a dança cósmica de Shiva em magníficas esculturas de bronze de figuras dançantes com quatro braços, cujos gestos soberbamente equilibrados e, não obstante, dinâmicos expressam o ritmo e a unidade da Vida. Os diversos significados da dança são transmitidos pelos detalhes dessas figuras através de uma complexa alegoria pictórica. A mão direita superior do deus segura um tambor que simboliza o som primordial da criação; a mão esquerda superior sustenta uma língua de chama, o elemento de destruição. O equilíbrio das duas mãos representa o equilíbrio dinâmico entre a criação e a destruição no mundo, acentuado ainda mais pela face calma e indiferente do Dançarino no centro das duas mãos, no qual a polaridade entre criação e destruição é dissolvida e transcendida. A segunda mão direita ergue-se num gesto que significa “não tenha medo”, expressando manutenção, proteção e paz; por sua vez, a mão esquerda remanescente aponta para baixo, para o pé erguido e que simboliza a libertação da fascinação de maya. O deus é representado dançando sobre o corpo de um demônio, símbolo da ignorância do homem e que deve ser conquistado antes que seja alcançada a libertação.

A dança de Shiva – nas palavras de Ananda Coomaraswamy – é “a imagem mais clara da atividade de Deus de que se pode vangloriar qualquer arte ou religião”. (...) A dança de Shiva é o universo que dança, o fluxo incessante de energia que permeia uma variedade infinita de padrões que se fundem uns nos outros.”

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Estranho silêncio ao redor. Meus olhos, cheios de cor, arredondam-se com o próprio assunto a se formar. Era a lua que, com seu gentil ar constante e presente, mais uma vez descobria pedras. Mas não da lua falar eu poderia. Não da inconstante presença do meu mesmo eu que se abria. Horas sinceras, inconstante deveras.
E uma chama consumia, até o ponto de estar só, a lua, a terra, a planta e minha presença sutil.

Fernando Oliveira