quinta-feira, 29 de abril de 2010

Quero um tom

  Quero um tom
De leve apito
  Em troca do grito
Que ousou
  Quebrar o silêncio
Da música

Fernando Oliveira

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pluralidade das Existências

Disse Jesus:
­­­­— Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não poderá ver o reino de Deus.

Disse-lhe Nicodemos:
— Como pode um homem nascer sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?

E Jesus lhe respondeu:
­­­­— Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do espírito é espírito.

­­­­— Não te maravilhes de ter dito. Necessário vos é nascer de novo.

­­­­— O vento assopra onde quer: E tu ouves a sua voz, mas não sabes donde ele vem, nem para onde vai: assim é todo aquele que é nascido do espírito.

(João 3:3-8)

domingo, 11 de abril de 2010

Olhe a nuvem que vem

Uma nuvem se espalha pelos cantos do mundo. É uma nuvem cinza, diferente das que vi nos meus dias de chuva. Dela não se chove, água escassa. E os seus raios não se podem ver, nem sentir na superfície da pele. O seu choque é interno, é dentro da mente, é dentro da cultura. O trovão, dessa fumaça densa, cinzenta, se ecoa pelos corredores sem fim de concreto. Prisão que abafa o desejo intrínseco e comum de ser livre. Olhe pro céu, olha pra nuvem, que vai chover.

Fernando Oliveira

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Uma nova semente

Tive um sonho. A vida, como a enxergamos com os nossos olhos do dia a dia, nada se parece com que no sonho eu tive. Nela, ao contrário de se nascer no germinar de uma semente, se nascia de um germinar de luz. Uma luz como fagulha de um fogo providencial.

Ao se passar do lento e longo tempo, na nossa cabeça, em nosso pensamento um ano é como uma noite. E as experiências em que fomos guiados nesse princípio de sabedoria se tornaram, num belo dia, flores de uma inteligência muito sutil. Entre o sim e o não, aos passos e passos, a saber, a diferença. Embora a pureza da essência teleguiasse seus passos na inocência do princípio, depois da escolha veio a conseqüência direta de cada ato. E assim, agora como análogo da semente, germinando nova vida não ao acaso dos fatos.

Então, sucessivamente, como no ciclo que de uma árvore se faz outra árvore, como uma flor que se desabrocha, como intervalo, para gerar uma nova semente. A beleza de uma flor e logo após a beleza de uma segunda chance. Geração após geração, aperfeiçoando cada dia mais os frutos, numa seleção introspectiva, ao passo de que o seu fiel caminho, além do sabor de um fruto doce, é voltar ao princípio, na inocência da pureza, mas agora com a consciência do que é ser feliz.

Fernando Oliveira